Revelando meus segredos
Mais bonito do Grota
O mais charmoso!
Não acredita não!
Escuta meu segredo e vai comigo
concordar.
Meu charme não é meu chapéu estilo
Panamá,
Minhas botas sujas de barro
Não é meu burro bom de cela
Nem mesmo meu sobrenome “Satil”.
Meu charme é o amor que trago dentro de
mim,
Que arde no meu peito e explode por aí
É a poesia que nasce assim, de mansinho,
que vai saindo do meu interior e que não consigo dominar.
Meu charme é o meu violão que quando
pego, dedilho, faço as cordas chorar.
Emociono a moça, a velha, o menino que
já olha para a menina com vontade de namorar.
Meu charme ta nas palavras que vai
saindo sem parar. Uma hora é um bom conselho que sempre posso dar. Outra hora é
um puxão de orelha, que com minha experiência, corro risco até de arrancar.
Outra hora surpreendo, falo palavras que
ninguém esperava, faz até emocionar.
Amo as estrelas, a lua
Quanto o mar
Mas valorizo mesmo é uma nascente
A vida que nasce lá.
A estrada cheia de poeira,
A terra molhada
Um cafezinho coado na hora
Com aquele queijo bem furadinho,
rendado.
Amo a chuva que cai pra causar enchentes
Ou aquela que faz a plantação germinar
Mas amo também aquela chuvinha bem
fininha,
Que cai devagar, faz o frio aumentar
E que, quando não para, faz minha
caminhonete patinar.
Amo o cheirinho de bosta de boi ao
amanhecer
E o sol que pela manhã já vai florescer.
O barulho saindo dos esguichos do leite
que sai do peito da vaca
O cantar da roda do carro de boi, dos
passarinhos sempre a celebrar
Em especial, o cantar do bem te vi
Que quando me vê chegar na fazenda Santo
Antônio, anuncia para toda passarada
Parece repetir sem parar: “So Leleu tá qui,
So Leleu tá qui”.
Já comi e cacei muita paca, tatu e até
veado
Sei apreciar um bom ovo caipira bem
fritinho ou um salame no pão
Uma
boa sopa de galinha, um cabrito assado, um galo com macarrão.
E pra melhorar o sabor de tudo,
A entrada, é uma cachacinha que esquenta
por dentro
Vai limpando o canal da alimentação.
Num tem coisa mió de bão!
Mas também aprecio uma boa rapadura, um
pé de moleque, um bom doce de figo, de cidra e até mesmo um tal de pudim de
leite cansado.
Sou apaixonado pela minha fazenda
Pela nascente que tem no morro, la no
alto do pasto
E agora, de um tempo pra cá, tive que
demarcar
Minha sobrinha Gorete construiu lá, uma
capela
Pra mode nós melhor rezar. E a fazenda,
sempre tem turista, gente para orar
Pra pagar promessa ou um pedido fazer
Tudo isto so melhora ainda mais o meu
cantim.
E o meu filho, Padre Geraldo , de vez em
quando vem celebrar a missa lá
E isto tudo, so aumenta muito mais o
amor que tenho em mim.
Sou devoto de Nossa Senhora
Mas não perco o jubileu de São Sebastião
Aqui por estas bandas
Posso praticar minha fé sem confusão.
Sou do Grota, e disto tenho orgulho
Fui casado com uma morena linda que deu
me onze filhos
Depois, Deus mudou parte da minha
história
Deu me uma nova esposa, que me ama pra
danar
Ama também meus filhos, meus netos, meus
bisnetos,
Genros e noras.
É o meu par perfeito nos bailes do salão
Nos bailes da vida, lado a lado comigo
ela está.
Ela é bonita, cozinha que é uma beleza!
Fala muito bem o português!
Entende das literatura da vida e dos
livros.
Ama meus filhos com louvor.
Sou muito grato a Deus
Por ter me dado este novo amor.
Meus filhos são minha maior riqueza
Tenho muito orgulho de cada um
São homens sérios, responsáveis
Grandes pais! Amigos, companheiros de
seus filhos
Comprometidos com a vida que escolheram
levar.
Minhas filhas são especiais,
Muito especiais!
Algumas são mansas, outras nem tanto.
Mulheres serias, responsáveis, grandes
mães.
Comprometidas com a vida que escolheram
levar.
Meus genros e noras
São mais que agregados
São peças importantes da nossa engenhoca
Estão sempre plugados, ligados
Presença firme de pai e mãe
Na educação dos meus netos
Ensina-os a aspirar triunfos
E tirar sempre uma vitória da derrota.
E meus netos então, nem te conto
A maioria tem meu DNA
Tocam, cantam e até banda inventaram de
formar.
“Macaco Véi”!
Pera ai, não to xingando ninguém não
Esta é a banda do meu neto João
Roda por este recanto mineiro
Mas eu torço, torço para ela ganhar o
mundo inteiro.
Meus netos, pessoal, não acabei de
contar
Puxaram me até mesmo na caninha brava
Que se arriscam em tomar.
Alguns são pé de valsa também,
Como a Alexia que se cansa de dançar;
Outros, nem tanto, preferem só olhar.
Alguns são grandes cavalgantes,
montadores.
Tem um que se inverna em cavalgada
Por muitos dias, fica que meio perdido
pelas estradas
Deixa a morena esperando, silenciosa,
preocupada
E quando chega, celebra, toma umas e
outras
E coloca tudo no lugar, afinal temos
sempre
Que recomeçar.
E minhas netas! Não tem mulheres mais
lindas.
Nem precisa procurar.
Herdaram o charme do vovô! A ternura da
vovó Terezinha.
Uma delas, a Maísa, não herdou só o nome
Herdou
até o cabelo igual
Todo encaracolado! Negro, muito negro.
A Nayara, tem um coração de leão
Grande, muito grande
Tem paixão pela vida
Gosta mesmo é do cuidar
Mas é mesmo uma pena
Uma cachacinha não poder receitar.
A Mayra, não posso afirmar,
Dizem que também ama uma caninha,
Eh trem sô! Esta é mesmo minha netinha.
O que? Não acredita?
Pergunte ao seu esposo, Danilo,
pagodeiro!
Porque, quando falo, tenho que prová!
Uma delas, é o anjo da família.
Se nome é Verônica.
Tem uma alegria fenomenal
Dizem que puxou a mãe dela!
Mas tome muito cuidado com ela.
Se alguém comete um erro, uma mancada
Só não pode deixar ela ver.
Senão ela ri, ri... até desmanchar!
Pensa que acabei de falar dos meus
netos?
Ainda não!
Deste DNA do Grota, muitos deles
Fizeram igual passarinho no inverno
Voaram par outras terras!
Imagina que com 85 anos
To tendo aprender chinês, espanhol e até
inglês!
Tive que evoluir...
Tenho um tal de zap, zap
Que vejo eles do outro lado do mundo
Mas nem tento falar estas línguas,
Fico só mesmo no português ou no
minerês.
To vendo a hora que terei que pegar uma
aza dura
E visitar a China, a Espanha e os
Estados Unidos.
Será que chego lá?
Meus bisnetos e bisnetas.
Ouro! Pérolas!
Presentes de Deus para mim.
É muita honra dada por Deus
Poder conviver com eles.
Tem um deles, o Gabriel, que até torce
pro meu time!
O cabuloso!
Diz ai Gabriel - Zeiro! Zeiro!...
Mas o meu maior segredo
Vou agora contar
Parei cedo de caçar ouro
Porque meu ouro estava dentro da minha
casa.
Meus filhos, minha família!
E tudo presente de Deus.
O tempo passa...
E como é gostoso ver minha vida renascer
em cada um deles.
Das desilusões, fiz experiências.
Das doces alegrias, fiz mais alegrias.
E quando vinha a desesperança,
Aprendi não me deixar abater.
Em cada abraço,
Uma massagem para meu coração.
Dos meus sonhos, ei- los aí
Todos a se realizar.
Meu maior segredo,
Meu maior charme
Vou agora te contar.
Está no encontro,
No reencontro,
Na vida abundante que deus me dá.
Na pratica da minha fé.
No sorriso constante,
Na luta diária.
No amor que me anuncia:
Leleu, é inútil se fazer esperar.
Corre atrás! Corre!
Não deixe o tempo passar.
Busque todo dia a felicidade.
Com sua esposa, com seus filhos,
Com sua família, com seus amigos
Busque sempre andar acompanhado,
Andar lado a lado.
Meu maior segredo,
Meu maior charme
Vou agora te contar.
Com expectativas de desbravador,
Jamais, jamais
Deixei
morrer em mim, o verdadeiro amor!

Poema feito em homenagem ao meu pai,
Senhor Leleu Satil, meu maior exemplo.
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Poema feito em homenagem ao meu pai,
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